O CEU É O LIMITE

 O CÉU É O LIMITE

Brincando de Carlinhos

 

- Pode não gostar do fato. É isso, fato. As relações comerciais com a China estão cortadas.

Foi um choque. É isso, choque. O General pôs-se de pé e à ordem.

- A soja? A China compra 80% de produção...

- O representante americano disse que Trump assumiu. Vai ficar com a produção pelo sistema de drawback.

- Drawback?

- É. A soja vai ser processada e volta para o Brasil como produto acabado sem incidência de impostos aduaneiros.

- São cento e vinte mil toneladas! O tamanho da população...não há suporte de consumo... Que fantasia é essa agora?

- Pois é, General, o chanceler Araújo enfatizou na reunião que o programa “é a grande oportunidade de construir a relação como os Estados Unidos a partir de uma visão de mundo comum”.

-  Programa? Você disse programa? Que programa?

- O programa da United States International Food Agency. USIFA. É baseado em estudo da equipe estratégica do Pentágono. O objetivo é a mudança do hábito alimentar da população para padrões da sociedade americana.  O Brasil foi escolhido para aplicação do programa. O representante americano explicou que a escolha do Brasil foi feita por Trump. O presidente americano considera Bolsonaro um grande catalizador de mudança.

Ato instintivo o General vira-se para verificar se a bandeira nacional se encontrava na parede. Acalma-se e senta-se dando sinais de fastio pelo assunto que lhe era desagradável.  Desanimado, pergunta:

- Mudança? Vai ter que mudar o quê agora?

- Feijão. É isso, feijão. “É o grande vilão que impede a formação de uma comunidade de sentimentos com os americanos. Apenas os valores formais de democracia não garantem a aliança entre as duas nações.  O Programa da USIFA será um salto qualitativo nas relações. Permitirá fazer coisas impensáveis, é um novo paradigma comercial, bilateral. O céu é o limite”, foi dessa forma que o chanceler defendeu a ideia na reunião.  Segundo ele foi o ideólogo do governo, Olavo de Carvalho, quem indicou o feijão como maior fator de atraso cultural dos brasileiros.

- Ainda estou por entender essa estratégia bilateral, o “novo paradigma” ... a China maior compradora fica de fora?

- Exatamente. O feijão é vilão porque é um sentimento patriótico de valorização de tudo que tem a ver com a nacionalidade. É preciso acabar com isso. Mudar, substituir o feijão por produtos de soja que possibilita se libertar das relações comerciais com a China. Por outro lado, a mudança do costume alimentar aproximando-se do modo americano, fará surgir a comunidade de sentimentos únicos Brasil/EUA.  A soja seguirá para os EUA com taxas normais de impostos. Retornará como produto industrializado, hambúrguer e salsicha, basicamente com zero de impostos. A lucratividade é alta. O governo brasileiro tomará as providências de colocação dos produtos na merenda escolar, cesta básica, bolsa alimentação e criação de novos programas de combate à fome nas áreas e regiões vulneráveis. Ao mesmo tempo aprovará uma lei proibindo em todo território nacional o plantio, o transporte, o comércio e o consumo de feijão. Haverá uma campanha maciça nas redes sociais e mídia dos perigos do feijão coordenadas por Steve Bannon.

- Só isso? ironizou o General e completou:

- A Coca Cola não entra no programa?

- Não. Estava prevista. Mas, foi vetada por Bolsonaro. O presidente considerou que era aprofundar demais as mudanças. Paulo Guedes da equipe econômica concordou com ele.

- Como disse o chanceler, o acordo bilateral permite coisas impensáveis. Parece que só o Brasil leva vantagem. Não há contrapartida para os americanos?

- Não. Apenas o último parágrafo do Contrato há uma condição. O Brasil se compromete a alugar a Base de Alcântara para os Estados Unidos.

Foi choque. Isso, choque. O General se levanta em pé e a ordem e berra:

- Autogolpe  Já!