CONCEPÇÃO DE MODERNIDADE

CONCEPÇÃO DE MODERNIDADE

Um dos maiores expoentes da cultura nacional, Mario de Andrade, visitou a cidade na década de 1930. O escritor registrou no texto “Bom dia, Lindoya”, que se encontra em uma publicação editada em 1934 pela Casa Cardona, de Mogi Mirim.
O exemplar único se acha na Biblioteca Mario de Andrade da ICB/USP. Essas informações foram prestadas pelo conterrâneo Jorge Coli, professor de História da Arte do Departamento de História da Unicamp.
A importância desse documento para a memória de Águas de Lindóia é inegável. Imprescindível se obter a cópia para mantê-lo na Biblioteca Municipal.
De mesmo nível cultural se encontram os quadros do renomado pintor José Marques Campão expostos no Hotel Glória. Os quadros deveriam ser tombados como de interesse público. As pinturas de Campão complementam a descrição de Mario de Andrade, pois retratam o mesmo período histórico.
Pelos pincéis de Campão se vê as cores que não se encontram em fotos preto e branco da época. Há detalhes de casas habitadas por pessoas simples que quase não se vê em fotos. Pode se entender o que Mário de Andrade descreve como sendo “as únicas termas fazendeiras que existem no mundo”.
Mario de Andrade fala com poesia sobre a paisagem, descreve usos e costumes da Estância e ultrapassa a literatura a se tornar o primeiro sociólogo da vida água-lindoiana.
O texto deveria ser utilizado nas escolas para, não somente servir como modelo literário pedagógico, mas também, despertar o interesse e o sentimento pela cidade onde vivem.
Os quadros de Campão e o Balneário, que contém preciosas informações sobre a origem histórica da estância e sobre ciência médica, química, física e geológica formam um pacote educacional merecedor de excursão de alunos. Deveria constar, obrigatoriamente, da atividade educacional oficial.
É indispensável acrescentar ao calendário cultural da cidade a “Semana da Estância Azul”, ou outro nome que se dê, voltada para a população contendo exposição fotográfica, audiovisual, palestras, informativos e atividade musical ampliando o sentimento de pertença e coesão social.
É alto o significado com que Mario de Andrade finaliza seu texto com a analogia à oração da Ave Maria:
“Ave, Lindoya, cheia de graça!...
O Senhor é convosco!...Bendita sois entre as termas, e bendito é o fruto de vosso ventre, a água azul!”.
Há na comparação claro alerta moral a se aproximar do sentimento religioso. É sentimento de veneração que o ilustre escritor pretende para a Lindoya.
Porque a cidade surgiu das virtudes das águas curativas e pela prescrição médica de uma fuga em direção a natureza. Assim se formou o conjunto água + natureza que é o DNA da Estância e deve ser respeitado como Santuário.
Subentende-se a tarefa obrigatória do água-lindoiano a defesa das águas e da natureza semelhante aos índios em relação à preservação dos rios e florestas.
É imperativo o compromisso do candidato a prefeito de transformar em área de preservação permanente (APP), a cadeia de montanhas que circunda o meio urbano e dê destino digno e respeitoso à água azul.
Não há consenso sobre a concepção de modernidade.
Os dias atuais são de paradoxo e perplexidade nacional, reveladas nas diversas esferas do econômico ao político, do cultural ao ambiental com o “moderno” sistema neoliberal do governo.
Marshal Berman, filósofo americano, em sua obra (“Tudo que é sólido desmancha no ar”), mostra que esse sistema é autodestrutivo, pois desenvolve lucros e riquezas pela antropofagização, isto é, com enorme prejuízo social e ambiental.
A concepção de modernidade para Águas de Lindóia segue caminho inverso, o da sustentabilidade, pois as “máquinas” de produzir são a natureza e a água azul.
A modernidade de Águas de Lindóia está na coesão social para preservar e combater a própria autodestruição.